terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Tante cosi

 Foi tanta coisa...


Que vai (ter de) ficar para trás.


Tantas vontades. 


Tanto anseio em ter uma vida que nunca acreditei ser para mim. 


Tantas memórias vivas que vão tornar algo que não existiu em alguma senda que as vezes nem se pode retomar. 


São tantas vidas em uma só. 


Tantas voltas que nunca se completaram. 


Tudo para que não sejam completadas, novamente.


Tantas despedidas. Reais. 

Até de si mesmo.


Para chegar justamente atrás de onde um dia já se estava. 


Tanto sangue, suor e lágrimas deixados por aí, como se não fossem nada demais. Nada. 


Nada, nada mais. 


Mas é isso.


A vida é feita de despedidas, despidas de vontade. 


Com muita dor e recheadas de furor.


... 


Que o que já foi, permita espaço para que cresçamos em nós mesmos.


O universo, afinal, é pequeno demais para colocarmos um mundo de importância em cada pedaço que deixamos para trás. 


Ao ponto de que estamos caminhando vazios de sentido e cheios de tudo. E muitas vezes não nos cabe mais nada. Meros moribundos marcando cada volta ao redor do sol... 


Mas, acima de tudo, esperando que aconteça o melhor. 


Nada, nada mais. Nada mais será como antes (afinal, é como sempre foi) - e como antes foi tudo! De euforia a tristeza, de sonho a frustração, de desencontro ao desencanto. 


A boa verdade é que, de todos os dias que passaram, só nos resta esse. Para que possamos mudar o que há de ser. 


Todas as horas contam em um relógio que já está parado a muito tempo. 


E como em uma pintura surrealista... O relógio já se desfez há muito. E o tempo? 


A realidade dele já se perdeu.


Tenha para si!


A perda total da consciência é só o primeiro passo para se esquecer qual era mesmo o caminho que o sentido já não se faz mais. 


Que já não há mais nele como seguir; até que alguma curva da vida nos coloque de volta nas pedras que ainda não enfrentamos, que não colecionamos, que não atiramos em um alvo incerto com o maior efeito possível. 


Diante, durante, depois. 


Todos esses tempos fazem da (nossa) história algo duro, dúbio, durável, desesperador e doce. Tudo, quase, que ao mesmo momento. 


Ainda há tempo para seguir... 


Onde quer que seja a saída disso aqui.

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