quarta-feira, 16 de setembro de 2026

(Ie)nfer(nm)

O inferno tem várias caras. 


E cada uma está te mirando. 


Em uma ensurdecedora espreita.


A cada esquina que passa. 


Você tenta esquecer de correr. 


Seja para onde for. 


Pois cada olhar te desloca daqui - e de si.


É como se a memória de um futuro já passado te atormentasse... 


Por que ainda não foi vivido - ou simplesmente porque não vai o ser.


Mas é verdade. É toda a verdade.


O inferno tem várias caras.


Sim. 

O inferno tem várias caras. E estão todas à espreita. Esperando o momento certo (ou seria o errado?) para sair da mera mirada, e partir para o maltrato monumental. E isso tudo, de uma vez, de uma só vez. 

O que era esperado, se torna mais incerto do que a certeza de continuar. 

Como se isso jogasse (e julgasse) um ritmo que ressoa em cada canto das quatro paredes que te cercam - sejam elas físicas, mentais, até espirituais (?). E esse ritmo não para, a ponto de quase se tornar um presente silêncio. - E, assim, você já não consegue mais escutar... de onde tudo está vindo? 

É uma breve comparação com o sobe e desce das ondas do mar; mas sem uma maré que é regida. Somente a aleatoriedade dinâmica da vida - onde uma calmaria aburrida não tem outra função que nos preparar para uma ressaca infernal - e aí de nós se ignorarmos isso! 

E o que acontece é que muitas vezes essa ressaca (não só imoral) muda toda a paisagem que aqui estava; e, não, não necessariamente para melhor. 

O que sobrou para ver? E para você?

Mas deixe tudo isso de lado… toda essa falação, toda essa dor e todos esses momentos. 

(Às vezes tudo é ruído, mesmo, mesmo, mesmo. Não há nada para escutar.) 

A única condição hoy é: tente não se afogar. 

Se é que seja sozinho, ou com qualquer jangada improvisada por alguém que também está tentando sobreviver e encarecidamente te estendeu a mão... que seja. Seja.   

O que importa é que vai passar, e, teimemos em acreditar, algo ainda lá há de estar

Nem que seja um pesadelo (ou um paraíso?) de areias soltas que talvez não seja nem mesmo mais capaz de sustentar outra construção; 

E assim o for, que seja. 

Ainda existem areias coloridas; castelos a montar; montanhas a surfar. 

E é isso. 

Pequenos. 

E momentos. 

E dia.

Até O dia.