segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A. estória

O que é que dói?

Onde é que machuca?

O que você não dá ouvidos, mas mesmo assim escuta?


Nao te sobra um simples sopro...

De um sibilo desejoso.

O antro que hoje se encontra, não passa nada... Vai além da sua conta.

Me chame de incapaz, me olhe como um mercenário...

 

(pois) No mundo de espelhos, não há nada além de retalhos...

Dos seres que já se foi, das ilusões que ainda seremos.

É para tudo isso basta... Aprumar a visão.


Pois veja, veja tudo.

Não há nada novo para ver.

Está tudo escrito, do jeito que você já deveria saber.


Soubéssemos nos, que seria assim, teríamos feito valer o sim. 

Sem esconder de nada, algo que já deveríamos compreender.


Mas nada apresentava, que o tempo um dia chamava...

Para rever casa passo não dado, cada história não contada... Restando apenas, a doce e inacabada...

Vontade de viver. Como se não houvesse um amanhã.

Como se o hoje importasse, e mesmo assim...

Anseando para que a hora chegasse.

De que tudo fosse embora.

Que não houvesse nem o resto.


Que não as memórias de um dia que vivemos repletos.

Repletos de dor, de anseios, de uma trágica necessidade... 

De pudermos nos entreolhar, mesmo que estejamos em outras realidades.


É nada mais sincero que consentir... 

Que esse é o limite da existência.

Ver-se real, mesmo com toda essa... 

Indesejada inteligência.


Nao titubeie, não se perca, o amanhã vai chegar...

É tudo que o hoje afirma, propõe e destrói... 

Vai se fazer de tudo uma vez... 

De uma só vez.


Tal qual uma história, formal, épica e vulgar... 

Como um conto de Tolstoi.


A.

É, verdade. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Tante cosi

 Foi tanta coisa...


Que vai (ter de) ficar para trás.


Tantas vontades. 


Tanto anseio em ter uma vida que nunca acreditei ser para mim. 


Tantas memórias vivas que vão tornar algo que não existiu em alguma senda que as vezes nem se pode retomar. 


São tantas vidas em uma só. 


Tantas voltas que nunca se completaram. 


Tudo para que não sejam completadas, novamente.


Tantas despedidas. Reais. 

Até de si mesmo.


Para chegar justamente atrás de onde um dia já se estava. 


Tanto sangue, suor e lágrimas deixados por aí, como se não fossem nada demais. Nada. 


Nada, nada mais. 


Mas é isso.


A vida é feita de despedidas, despidas de vontade. 


Com muita dor e recheadas de furor.


... 


Que o que já foi, permita espaço para que cresçamos em nós mesmos.


O universo, afinal, é pequeno demais para colocarmos um mundo de importância em cada pedaço que deixamos para trás. 


Ao ponto de que estamos caminhando vazios de sentido e cheios de tudo. E muitas vezes não nos cabe mais nada. Meros moribundos marcando cada volta ao redor do sol... 


Mas, acima de tudo, esperando que aconteça o melhor. 


Nada, nada mais. Nada mais será como antes (afinal, é como sempre foi) - e como antes foi tudo! De euforia a tristeza, de sonho a frustração, de desencontro ao desencanto. 


A boa verdade é que, de todos os dias que passaram, só nos resta esse. Para que possamos mudar o que há de ser. 


Todas as horas contam em um relógio que já está parado a muito tempo. 


E como em uma pintura surrealista... O relógio já se desfez há muito. E o tempo? 


A realidade dele já se perdeu.


Tenha para si!


A perda total da consciência é só o primeiro passo para se esquecer qual era mesmo o caminho que o sentido já não se faz mais. 


Que já não há mais nele como seguir; até que alguma curva da vida nos coloque de volta nas pedras que ainda não enfrentamos, que não colecionamos, que não atiramos em um alvo incerto com o maior efeito possível. 


Diante, durante, depois. 


Todos esses tempos fazem da (nossa) história algo duro, dúbio, durável, desesperador e doce. Tudo, quase, que ao mesmo momento. 


Ainda há tempo para seguir... 


Onde quer que seja a saída disso aqui.

domingo, 4 de janeiro de 2026

Vide

Em mim eu não tenho nada, além da imensidão do vazio. 

Um vazio que carrega, te detém.

Te entrega e te mantém... 

Invólucro, do exterior. 

Inerte, de si mesmo.

Abatido ao que acontece; 

Resiliente, mas sem prece. 

Incapaz de identificar, qual é a razão de um porvir...

Sendo que hoje, nem se-quer... exist(e)ir. 

Olha, veja só, a penitência de quem persiste... 

É chegar em um momento que não há o resiste.

Pois cada gota que caia, formava um barulho ensurdecedor... 

Tão alto era o silêncio, que trafegará para sempre... em ardor. 


E como, mas como!


Tudo que foi dito, talvez nada importasse. 

Pois essa vida te entrega nada além de posse. 

A posse de um ser esquálido e aparente; que mal consegue se manter de pé perante todos os dias que ainda há em frente. 

Não há dúvidas, nem sequer certezas. 

Mais uma vez, o vazio se (o)põe a mesa. 


Mas, é como disse, do que importa o amanhã? 

Se a cada momento se desabrocha um véu... que deixa cada vez mais a mostra... um pedaço do eu.

E, olhe, talvez esse seja o grande paradoxo.

Quanto mais se olha... menos se vê! 

Ah, mas, fique tranquilo, não é só com você.  

O que resta é pouco, muito pouco... 

E não sei o que acontece... 

Se é a falta do sentido que persiste, ou se não há nada mesmo que preste. 


Venha, viaje... 

Receba logo o seu traje. 

Pois trajado de vazio, não nos falta a imensidão. 

E dentro de cada segundo interminável nada falta, nada insiste. 

O ser se torna inerte e não resiste. 


Todas as necessidades... ficaram para trás. 

As condições evaneceram.

Os motivos se esvairam.

E o rumo cessou.

Esqueça, desarrume-se.

Não seja, o que quer que seja.


Feche esses olhos e não persista.

Vide... não há mais nada em vista. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Yet?

 A dor que mais dói é aquela que insiste em doer... mesmo sem motivos para proceder. 


Mesmo com resoluções, ela não cessa. 

Dói. 

Mesmo. 

Dói, mesmo, que não haja onde mais machucar. 

Dói, mesmo, que o plano tenha sido curado, peculiar. 

Dói, mesmo... Mesmo sem se permitir, pois persiste... 

A dor do que poderia ser, caso ela não insistisse... 

Em não existir. 


E quando a dor fala mais alto (que...) - o que mais podemos fazer, senão deixar de suportar... 

E nos acostumar? 


Com a dor da falta... para que, simplesmente, falte a dor. 

Pois onde só há dor, nada frui. Nada flui. 

E (meu) bem, mesmo que não esteja bem, o sol se põe a cada dia. 


(Até o dia que não tiver mais nada para se pôr - não adianta se opor - aproveite o torpor que a escuridão propor)


É.  

Mais um pedaço que desfaz, e se fibrila. 


Irrompe. Interrompe. 

E atesta. 

O que é que (nos) resta?

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Voz(es)

 Tudo que se inicia, tende a acabar de forma desinteressante. 


Mas do que isso importa? Se a viver é a nossa única opção?


Qual seria a certeza incerta de se perguntar como pode se haver algo certo?


Na sua cabeça, uma sentença. Na outra, outras. Nas outras, um além-mar de outréns. 


A grande realidade, é que em sua mente existem inúmeras outras sentenças, sobre uma mesma sentença. Sobre um mesmo sentimento. Uma torrente de ideias imaginárias de um imaginário que mesmo sem considerações não aconteceu. 

E o que perdura é o questionamento do que é que pode ser. E a tentativa - incerta - de não se preocupar com essa(s) possibilidade(s). 

"Tudo bem. Talvez seja só (algo) mais. E então? Não se preocupe, vai passar. Vai passar."  - uma voz lá no fundo sussura, como se estivesse tentado te confortar.


E talvez passe. Ou talvez não. 

Mas isso é algo que, com certeza, vai se repetir. 


Bem, o melhor a fazer é não (se matar de) importar. 


Mas, e então? O que seria o certo, além da finitude? 

Tentar? 

De novo? E de novo? 

E passar, pelo mesmo? Por algo que nem valha a pena?

(que...) 


Qual é que seria o foco? 

Qual é que seria a senda? 

Há de fato algum lugar para chegar? 

Perguntas abertas, irrespondíveis, irrepreensíveis. 

A parte... a partir.


Talvez nem se destrair seja a forma mais desejosa de suspirar. 

Talvez o suspiro não seja sequer o último. 

Talvez todo o processo seja em vão. 


Mas siga. 


Tolo. Tolo. e Tolo. 

É uma tolice se debruçar na certeza daquilo que não é para ter sentido. 

Tanto, tanto, tanto.  

Se faz tanto para se divergir cada vez mais do que realmente importa. 


E se a novidade, for a mesma? 

E se a pergunta, for a mesma?

E se a (im)permanência,  for a mesma? 


Talvez a questão seja uma só. 

Si. 


É aí. 


E Ninguém (deveria) se adianta(r) ao passo que não pode (e deve) dar. 

Não há risco maior do que se perder por inteiro


Não. Não há nada muito além. 


E bem...


...porque não é possível colocar um fim em tantas questões, tanto em si? 


"Só siga, sem persistir..." - repete a voz, mais uma vez em mim. 


sexta-feira, 9 de maio de 2025

Vale

 Você sabe quem você foi, é ou deveria ser?


Essa é uma pergunta que em muitos momentos surge.  

Mas, por incrível que pareça, a resposta mais sincera talvez seja: 


"Não!"




Quando percorremos aquilo que dissemos ou fizemos... 

Encontramos uma vaga lembrança do que, de fato, um dia foi. 


E o mais engraçado de tudo isso? 

Às vezes sequer lembramos que havia acontecido certos fatos... 

Mas, o mais interessante? 

Redescobrimos algo que um dia sabíamos! 


É como dizer...

Ainda existe algo "daquilo" dentro de você. 

...pode ser que "nem tudo acabou"! 

Pode até parecer estranho, mas ainda há um reconhecimento diante disso... 

E você pode ser capaz de dizer: 


"Eu sou mesmo eu!"



Digo isso para apontar uma só coisa: que engraçado! 


Engraçado é perceber que a vida não é exatamente linear, e que em momentos estamos cheios, completos, imbuídos de si - e nem sequer temos certeza disso. 

Enquanto em outros, encontramos algo que vem "de fora", mas que muitas vezes nos faz pertencer e transformar em algo que nunca imaginavamos - e isso não é necessariamente algo ruim. 


A mudança é a única constante. 


Talvez essa seja a graça de não ter um caminho certo. 

Traçar as nuances que o mundo (re)apresenta para si. 


E se construir cada dia com uma parte nova, que muitas vezes se metamorfa dentro do próprio ser.

(E que precisa de uma análise como essa para ser (re)conhecida) 


Mas que é interessante perceber que para entender o que se era, e muitas vezes não se enxergar mais naquilo... 

É a prova incauta de que se viveu

Mudanças, felicidades, tristezas, incertezas... e vida.

E ela bate a porta. De novo. E de novo. 


Vale. 


E no final das contas, é isso que importa, não é mesmo? 

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Tt.

Tudo tende a terminar - e essa é a única certeza que a gente carrega na vida. 


Mas quando... de fato, algo importante realmente termina... 


A única coisa que nos sobra é o vazio... 

E a dor.  

A dor de se esvaziar. 

A dor de não poder mais acreditar.  

A dor de não poder mais ser o que se é. 

A dor de imaginar - o que é que poderia ter sido? 

A dor se questionar - porque é que você fez tal decisão?


E agora? 

Lidar com os fantasmas de sempre. 


Será que era para ser?

Por que é que não foi?

O que foi que não fiz?

E agora, o que será?

Se é que...

Ah...


A cada passo que não completamos na vida... 

(ainda mais quando nos preparamos para ele...!) 

Nem sempre ganhamos alguma coisa. 


Muitas vezes o que resta são pedaços. 

Rachados. 

Pequenos. 

Que não se encaixam mais.


E o que fazer, a não ser... não ser? 

A única coisa plausível no momento, é tentar esquecer... 


O que o amanhã carrega é a certeza que não podemos ter.