domingo, 4 de janeiro de 2026

Vide

Em mim eu não tenho nada, além da imensidão do vazio. 

Um vazio que carrega, te detém.

Te entrega e te mantém... 

Invólucro, do exterior. 

Inerte, de si mesmo.

Abatido ao que acontece; 

Resiliente, mas sem prece. 

Incapaz de identificar, qual é a razão de um porvir...

Sendo que hoje, nem se-quer... exist(e)ir. 

Olha, veja só, a penitência de quem persiste... 

É chegar em um momento que não há o resiste.

Pois cada gota que caia, formava um barulho ensurdecedor... 

Tão alto era o silêncio, que trafegará para sempre... em ardor. 


E como, mas como!


Tudo que foi dito, talvez nada importasse. 

Pois essa vida te entrega nada além de posse. 

A posse de um ser esquálido e aparente; que mal consegue se manter de pé perante todos os dias que ainda há em frente. 

Não há dúvidas, nem sequer certezas. 

Mais uma vez, o vazio se (o)põe a mesa. 


Mas, é como disse, do que importa o amanhã? 

Se a cada momento se desabrocha um véu... que deixa cada vez mais a mostra... um pedaço do eu.

E, olhe, talvez esse seja o grande paradoxo.

Quanto mais se olha... menos se vê! 

Ah, mas, fique tranquilo, não é só com você.  

O que resta é pouco, muito pouco... 

E não sei o que acontece... 

Se é a falta do sentido que persiste, ou se não há nada mesmo que preste. 


Venha, viaje... 

Receba logo o seu traje. 

Pois trajado de vazio, não nos falta a imensidão. 

E dentro de cada segundo interminável nada falta, nada insiste. 

O ser se torna inerte e não resiste. 


Todas as necessidades... ficaram para trás. 

As condições evaneceram.

Os motivos se esvairam.

E o rumo cessou.

Esqueça, desarrume-se.

Não seja, o que quer que seja.


Feche esses olhos e não persista.

Vide... não há mais nada em vista.