Em mim eu não tenho nada, além da imensidão do vazio.
Um vazio que carrega, te detém.
Te entrega e te mantém...
Invólucro, do exterior.
Inerte, de si mesmo.
Abatido ao que acontece;
Resiliente, mas sem prece.
Incapaz de identificar, qual é a razão de um porvir...
Sendo que hoje, nem se-quer... exist(e)ir.
Olha, veja só, a penitência de quem persiste...
É chegar em um momento que não há o resiste.
Pois cada gota que caia, formava um barulho ensurdecedor...
Tão alto era o silêncio, que trafegará para sempre... em ardor.
E como, mas como!
Tudo que foi dito, talvez nada importasse.
Pois essa vida te entrega nada além de posse.
A posse de um ser esquálido e aparente; que mal consegue se manter de pé perante todos os dias que ainda há em frente.
Não há dúvidas, nem sequer certezas.
Mais uma vez, o vazio se (o)põe a mesa.
Mas, é como disse, do que importa o amanhã?
Se a cada momento se desabrocha um véu... que deixa cada vez mais a mostra... um pedaço do eu.
E, olhe, talvez esse seja o grande paradoxo.
Quanto mais se olha... menos se vê!
Ah, mas, fique tranquilo, não é só com você.
O que resta é pouco, muito pouco...
E não sei o que acontece...
Se é a falta do sentido que persiste, ou se não há nada mesmo que preste.
Venha, viaje...
Receba logo o seu traje.
Pois trajado de vazio, não nos falta a imensidão.
E dentro de cada segundo interminável nada falta, nada insiste.
O ser se torna inerte e não resiste.
Todas as necessidades... ficaram para trás.
As condições evaneceram.
Os motivos se esvairam.
E o rumo cessou.
Esqueça, desarrume-se.
Não seja, o que quer que seja.
Feche esses olhos e não persista.
Vide... não há mais nada em vista.
