segunda-feira, 28 de maio de 2018

.

Onde está?
Onde pode estar...
Aquilo que um dia você foi.
O sonho. O animo. O sorriso.
Que um dia você teve.

Há anos. Talvez.
Há segundos. Pode até ser.

Não há muita diferença de perspectiva... quando tudo (toda) se confunde.

A resposta que um dia você teve... de fato, existiu(...?)...



Hoje...
Bem.
Talvez seja melhor pensar em ontem...

Pelo menos, não é mais necessário buscar... tudo.
Tudo isso.


Auf...

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Desatino

Faz tempo...

Faz tempo que eu venho me desfigurando...
E me parece que não consigo mais me reconhecer.

Olho para coisas que fiz há anos, e consigo sentir, rever tudo. Reimaginar. Mas esses atos, fatos, conteúdos ... deixei de lado com o tempo, abandonei, se foram, mas os quais nunca me esqueci...

Talvez algo existisse nessas épocas - algum potencial, alguma vontade, algum sabor, enfim, algo... que me fazia mover. Que me... transpunha... que me transportava, me transformava...

Não sei o que aconteceu.
Não sei no que deu.

Só sinto que...
Hoje... nem eu (a mim) me resto. Me percebo estático - apesar da inválida e perene tentativa de me esclarecer...

As facetas que estavam lá (ou aqui?) já não dizem muito mais - o meu ser percebe tudo aquilo que um dia foi como atos em vão - e o que eu consigo ver é que ... tudo que eu tentei ao longo de todo esse tempo não deu em nada.
E isso me dói ... por quê será? Por quê será que - hoje - eu não tenho nada a oferecer?

E se me pergunto o que faço - ou posso fazer - da vida, a resposta é nula; isso me deixa não só envolucrado em um profundo desgosto como também gera uma espécie isquêmica de desespero...

Os dias vão se passando, e eu continuo buscando algo - como sempre o fiz - de forma cada vez mais desacreditada.

Sou menos do que um dia já fui, e não tenho a faísca que me fez traçar todo esse caminho com um quê de determinação...

Me parece que o que aconteceu ficou perdido... assim como eu estou.


...


E ver que todos que estavam ao meu lado possuem algo - um caminho, um motivo, um propóstio ou ao menos uma ideia - faz me questionar... como eu posso estar tão... à parte?

Tento me conformar, me reconfortar que cada um tem seu próprio tempo - mas o que eu sinto é que o meu tempo realmente já se foi...

É ruim... (não ser nada...)

Não consigo aceitar essa mediocridade psicológica ... não tenho o desejo nem o ímpeto de me reenquadrar em terras que já (faz tempo que) sei que não são minhas...


Nunca desejei isso; nunca imaginei assim...

Um prenúncio daquilo que não deveria ter sido já me atormenta a cada dia da minha vida atual... a qual eu conseguia me esconder muito bem de toda essa draga existencial, mas... isso já não é mais possível.

...


É, tudo isso é contínuo, insistente, redundante...

...

e...

Eu... só queira saber, por onde, continuar...

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Sensu

Há uma finita compreensão de não me compreender.

Eu, hoje, sinto que é incompreensível me encontrar em tal estado; um estado tênue de que tudo foi - vem sendo, e talvez, é e será em vão.

Já sinto que não estou aqui... que não me pertenço...
Há muito, há anos, que não sei mais onde estou.
Nem sei mais se posso afirmar: perdido - pois não sei se e como me encontrar.
O tudo já é nada... e nada, é o que eu consigo conviver e sentir em mim.

Os não objetivos de sempre configuram uma neutralidade que ... não me é afável (afinal, não sou assim!).

Os tempos em que me destrair era uma (real) opção já não são mais viáveis.
Não tenho com o que ... e como ... encobrir.
E mesmo assim não me vejo;
Se um dia fui algo, talvez eu já não o seja mais.

O desarranjo das minhas convicções (se é que um dia existiram) não consegue se completar; pois eu bem sei o que se passa na minha cabeça (ainda!) e a minha compreensão de que, tudo, simplesmente tudo, é passageiro faz de toda essa situação uma indeferível contradição.

Olho para os objetos que estão ao meu lado, à minha volta...
Sei que deles nada vou levar - não levarei nada, aliás - e me pergunto o por quê de tanto desassossego.

Talvez seja minha própria (pseudo)lucidez que permite que eu consiga seguir... (sem grandes constrições)
E para onde? E para quê?

E...
Acho.
Solo... não tem sido sinônimo de solidez.

Nada sensato se sentir assim, mas sabe... simplesmente me suprimo, silogicamente...


Sério.
Já me redundei várias vezes, num momento simples.
Tantos pensamentos que não se exprimem, e nada, nada dizem...


Talvez ainda exista uma vida a ser vivida... uma qualquer, que eu venho buscando desde... sempre...

E eu me pergunto; continuo me perguntando - será que algo seria diferente, em qualquer uma das secções que me antevi na vida?
Será... que eu estou (cheguei, chegarei...) em algum lugar?

E por quê tudo isso me importa?
De nada vai me adiantar metade disso, que seja amanhã...
Nada vai sobrar. Nem para mim, nem para ninguém...
Não haverá lembranças.
(sou) Anonimidade em meio a tantas outras. (e por isso me cabe ser assim)


O tempo...
Já não o sinto mais passar nesse momento.
Tudo se confunde - é como se anos atrás tivessem acontecido, ontem... e... o amanhã, simplesmente, não existisse.
Meu rosto... minha mente... não serão os mesmos... mesmo que eu não sinta o transcorrer dessa "série ininterrupta e eterna de instantes"...

Mas... igualmente, viver (de fato!) é raro...
Não temo nem me obstino a acompanhar esse fluxo - mas é que... simplesmente, não consigo fluir... e não consigo relativizar... os instantes...


Talvez uma base; uma chance... para me sentir...
Para poder, de fato... Começar.


Sabe,
Nessas condições,
Somente (me) separo... (do -) ontem, hoje, amanhã...





[e... nada]

terça-feira, 6 de março de 2018

N-o-t

Quando o "não" é a única coisa que você tem tido contato nos últimos tempos é praticamente impossível visualizar ou construir uma ideia de que o "talvez" possa se fazer presente em sua própria vida.

Dia a dia, tempo a tempo, as irrealidades que se faziam presentes em consenso com o cotidiano se desfragmentam, se desistituem... não há muito sabor de sobra.

A composição dos (próximos) passos está tão dúbia que a tolerância ao diário sequer se compõe...
O fortuito do próprio fim se torna um fardo; já não é sequer possível se carregar, então, como providenciar algo, aos outros?



A vida é una, única, mas muitas vezes irrelevante.
E mesmo assim não consigo traçar objetivos a serem cumpridos - ou sequer perseguidos.

A todo momento eu tento me reaver, me recriar, me redispor, me recompor...
Mas já são tantos pedaços perdidos, deixados de lado, que eu nem sei mais do que me constituo.
De qual é a finalidade. E se há algum fim.

Tento mover, entender, recomeçar...
Bem sei que a diferença entre prosperar e o seu contraponto muitas vezes faz parte de uma mera perspectiva; e o grande problema é que não consigo perspectivar o hoje (de minha vida) - estado líquido num fluido denso de incertezas.

Tantas negações e decepções fazem desse momento somente um recorrido do mesmo de sempre - a 'pérdida' incansável que teima em persistir.



Pois...
Fazer parte (do quê)? Ou partir (para onde)?
São questões que se fazem presentes, mas ao mesmo tempo tão vazias (de sentido)...


Sem motivos, nem objetivos...
Me questiono se estou (muitas vezes) vivo.
Qual será a minha lei?

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Pudera

O frio que me gela
Faz parte da solidão que me cerca

Se um dia havia alguma vontade
Hoje somente permanece a realidade
Voraz, contumaz; plana e irresponsiva

Dos momentos bons que  houveram
Restam as memórias
Que já não se fazem capazes
De sustentar o ser sintético
Pois não há mais caminho para viver
Sem soluções que sejam temporárias

Os portos seguros de uma antiga vida
Não mais são seguros;
nem sequer portos

Eles ajudam a construir a situação insustentável
de alguém que não consegue
sair do mesmo lugar,
Pois mesmo que alguma trilha possa ser traçada
os caminhos estão mais obscuros do que nunca
estiveram...
Onde estão?

Estive.
Estou.
Estarei.

Perambulando, parado
Num paradigma de possibilidades não concretizadas

E...

Começar de novo...
algo que sequer iniciou é uma perversa piada
que posterga o que tempo para a tão conhecida indefinição

Não há mais como estar;
Os pequenos pontos de apoio
Já se foram
E você não pode nem contar,
como também
não consegue mais amparar

Talvez a nada...nem a ninguém...
Tampouco a si mesmo

Dita as horas. Os dias.
O quê mesmo?

De hoje em um quê de diante não determino
Nada. Nada mais.

Proceder sem procedimentos...
Providenciar a própria providência...

Só não sei mais...
O que fazer...?

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Daily Li(f)e

A vida diária não passa de uma mentira que contamos a nós mesmos para continuarmos (ou tentarmos) - sãos; em meio a tudo. Em meio o nada.

Como aceitar que o tempo se passa e não o vemos?
Como acreditar que tudo aquilo que se passou já é algo que nem mais sentimos?
Como refutar que os sentimentos mais intensos em nós mesmos não fazem mais parte da nossa diária vida?

Os "bons tempos" sempre foram outros, independente de quando vivemos - talvez eles não tenham sido tão bons assim, àquela época...

Por quê será que não conseguimos vivenciar a felicidade no momento em que vivemos?
A fluidez do momento nos impede de enxergar aquilo que realizamos?

Nada é tão ruim que não possa ficar pior...
Mas, por quê o bom momento de nossas breves vidas não pode perdurar?

Um breve questionamento, uma pequena reflexão pode ser capaz de pôr tudo a perder - por quê de fato estamos aqui e fazemos disso um único fato?

Estar desperto para entender que o algo a mais deve ser o que se faz; compreender que o caminho é o que importa; evitar as insensatas utopias; tudo isso pode fazer com que a nossa mentira diária se torne ao menos um pouco mais de verdade. Enfim, é algo a fazer. Tentar criar em em nossa mente algum fluxo verídico de vida, o qual de fato vivenciamos, é um difícil procedimento de reconhecer que "ser" e "estar" fazem parte de um processo de percepção daquilo que realmente importa (ou deveria importar).

Por entre esse dilema transcorrem os fatos, os dias, a vida... e percorrer essa passagem é um rito diário que deveria ser composto mais de menos, mas que esse menos possa ser de fato; algo.

Algo - sem regras - para conceber um ritmo rotineiro que desconsidere soluções.
Afinal, etapas, sejam elas quais forem, irão se suceder até um momento que as não consideraremos mais - seja por uma eventual finitude ou o emaranhamento de (as) situações...

Somente tenho algo mais a dizer:

(que) Seja.

TransVer

As vezes enxergo no rosto das pessoas passagens de livros - detalhadas descrições de uma personalidade abstrata que se configura por uma ação não necessariamente ativa vinda de cada uma delas.

Transfiguro passagens - "me reío" das situações. Como se houvesse um mar de páginas que transcorrem na minha cabeça; como se tudo que eu estivesse vendo já houvesse sido escrito, ou ao menos 'redigido' em minha mente. Não um deja vu, mas algo... já natural, o qual não expressa nenhuma nova particularidade.

É uma situação pra lá de engraçada... vejo personagens de uma vida que, para mim, é tão real quanto parágrafos manuscritos há décadas - eles estão dados, e... eu, bem... nem sei se sempre os vivencio quando os encontro.

São dias. Horas. Segundos.
De... re-imaginação.
Das páginas que se apresentam e se fecham sem quaisquer continuidade; as quais eu já nem mais as percebo, nem mais as descrevo... elas correm. Se sobrepõem... e, bem, tudo - novamente - se configura como nada no cerne da minha (in)percepção.

Estar (e) ou não estar já não faz mais tanta diferença (nesse mundo [tão irreal])...

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Away

Sim.

Hoje eu percebi.
De maneira muito particular, porém clara... que não estou mais aqui.

Não que 'eu', de fato, não esteja... mas é que eu simplesmente não me sinto mais parte daqui.
Desse grupo de pessoas, desse montante de fatos, das situações que as circundam...

Trabalho à parte, vivo à parte, estou à parte.
Olho para o entorno, observo as pessoas, as escuto. E não consigo me colocar a par de nada que questionam; é como se nada disso me interessasse mais. Não me incomoda. Nem me toca.
Aquilo que é lido me afeta de outra maneira - as minhas ideias são outras - não há conexão. Eles suplantam o interessante pelos seus interesses - que nada me interessam.
Seus motivos, suas conclusões...  passam longe daquilo que - realmente - deveria ser considerado como importante.

O banal é tudo. O que é necessário é se igualar... dizem eles. A equalização nivela lá por baixo.
Eu. Eu... já não digo nada mais.

Afinal o que (te) importa?


O caminho que fiz até então sempre me levou por rotas alternativas, mas claramente vejo que já estou longe, longe, longe... de qualquer senda ou trilha que me conduza de volta para esse meio. A essa conurbação (humana?).
Me sinto como algo vagando em torno deles. Algo incompreensível (até para si mesmo). Algo que talvez não devesse estar por a(l)i... (sem questionamentos...)

Não é que eu não seja suscetível - eu só não consigo v(iv)er sucesso em participar de algo o qual eu (já) não faço (mais) parte.

O passado nunca me alcançou, o presente não me pertence e o futuro...passa.

Não sei como me integrar - e nem se quero.
E o pior (ou não) é que não (me) sinto (nada) mal com tudo isso.

Eu já nem sei se consigo sentir algo - em relação a essa questão.

Me pergunto.
Me procuro.

Tudo que acho...

É um ser de cabeça baixa, fitando o horizonte em uma tentativa de compreender as próprias ideias e a situação em que (faz tempo) se meteu...

A...

(there is?)

Way.