sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Pare

Todas as nossas vidas.

Todos os nossos eus.

Espalhados.

Quem seríamos se não tivessemos sido exatamente o que somos?


Os retratos dos tempos que passaram são tão reais ... mas tão... Reais. Que conseguimos sentir dentro de si, como se ainda tivessemos parte do prórpio ser alocada em cada um desses quadros. 

De fato existe! (de fato existiu...) 


Contamos os anos - mas não vemos eles passarem. 

Sentimos na pele aquilo que (ainda) podemos - e cada dia que passa, os negativos se somam em nossa retina. 

As situações que aconteceram... ainda estão presentes - em nossa memória, em nosso âmago, em nossas cicatrizes...

Nunca estivemos preparados, e nunca estaremos prontos!


Esse é um conjunto tão complexo de realidades que, na verdade, questionamos se não estamos de fato presos nessa gama de percepções criadas pelas nossas mentes (passadas...). 


Tudo é tão todo - que nos sentimos mais pertencentes aos momentos passados do que o agora que temos em mão. E talvez isso venha tornar a se repetir ... amanhã.


(Do que seria o futuro, sem o passado? O que seria um eterno passado, como presente, seja ele qual for? Por que não conseguimos parar o tempo?! Por quê não podemos estabelcer parâmetros e viver dentro deles? Se essa é a graça da vida, todo esse dinamismo e imprevisibilidade, por quê não podemos contar com uma variável já setada para que possamos basear a nossa vida e conseguir continuar com algum item, concepção ou mesmo um ser que atue como uma espécie de navio, que nos acompanha, que nos guia, que nos faz flutuar ... e, assim, continuar? Por quê sou tão tolo e sinto tanto, mesmo sabendo que todos esses (P)assos são só passados...? Quanta nostalgia de algo que nunca realmente se estabeleceu! Quanta estranheza e sumária melancolia em simplesmente não poder seguir um traço sem que esse o deixe ... Quanta desavença! Há tanta gratidão diante das experiências ... que - e como! - você pode simplesmente desejar tem tido somente uma vida! Quanta tolice ... mas será mesmo que toda a ignorância que uma única vida trouxesse não faria, mesmo, bem? Se tudo pudesse ser só um (e esse hoje não estivesse aqui) ... talvez eu não seria todo esse retalho que olha para si, e não só não se reconhece, como consegue perceber cada nuance do próprio ser! E o (e se) questiona! Oras! Aliás, por quê! E... bem, porque não? ... E ... sou? ) 


Talvez (tudo) seja somente uma percepção de alguém que anda só (mas que nunca o desejou!). 

Não sei.



Os caminhos se separam.

Os traços se delineam. 

A vida continua. 



E que vida é essa em que sentimos o(s) ontem(-ns) mais real(-ais) que o hoje, e muito mais certo(s) do que o Amanhã?


Weird (but rather common).


Discorro para...

Retratar os retratos de outros tempos - e imaginar os rastros que deixamos entre os ramos da realidade, para conseguir relatar os retalhos reticentes do Ser... 




(meu) Bem...


Simplesmente. 

Some. 

Suture.

Seja. 

O que for. 

domingo, 31 de janeiro de 2021

Passe

Quando percebemos o passado, a nossa frente, tão real quanto um dia o foi... podemos afirmar que já não estamos mais (no) presentes. 

Esses são momentos os quais parecemos que estamos vagando, em qualquer uma das realidades cabíveis, mas que não essa - como um mero fantasma, à deriva. 

Sentimos, introjetados, intrusos, não mais intrínsecos do próprio ser. 

É como se uma parte não estivesse mais presente - como se o real se cindisse em (mais de) dois.


... talvez esse seja um claro nuance de que existe algo além da carne, da matéria sólida, da nossa solidez. 


E isso, na verdade, não é um problema. 

É um dos poucos momentos que conseguimos nos entregar a vida, se permitir ao destino. 

Momento no qual conseguimos fechar os olhos e simplesmente sentir - como se estivéssemos meditando - um outro contexto, um outro apreço. 

Nos encontramos preparados, entregues. Para o que vier. E também para o que der. 

Um breve influxo, de respiração. Uma ainda mais breve, exoneração (liberação?) de consciência. 


São nesses momentos de rebalanço que o equilíbrio se mostra além ... do entendimento, de um caminho, de um desejo. 

É como um empuxo que você não vê, mas que está lá - te atraindo de alguma forma, que as vezes você nem mesmo, a si, se sente. 

É um fluxo (in)comum que te afeta; e você se deixa afetar. 

É o esvaziar; que também esvazia de você toda percepção de finalidade das inúmeras incursões mundanas - pessoas, propósitos, pátrias e permissões. 

É o que te permite...

...um encontro com o nada - que faz muito mais sentido que tudo.


E isso molda você. 

Te faz diferente. 

Te torna alheio.

Te arrefece. 

Te volta. 

Toma.


Cabe, agora, preencher o vazio. 

Se reconfigurar. 

Re adaptar.


Não existe um movimento o qual não se repita - assim como não existe futuro sem passado. 

 


Torna-te terráqueo, para aqui viver. 

Viva em outro plano, para não recusar a realidade que teu corpo o permite. 

Ele é seu invólucro, seu recipiente, e é tudo que você tem que permita essa experiência. 

E apesar, de todos os pesares, é a única, que podemos viver, agora. 

E é o que importa.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

(em)Quadro

O Prazer de cada dia está nas pequenas coisas que insistimos em apreciar. 

A beleza às vezes nos transparece de forma tão simples, que uma ação já nos coloca em um outro estado. 

Não estamos mais aqui, presos a finitude do instante. Nos transportamos para a eternidade do presente.


Seja no café amargo, na face do cão que se estende pelo chão, na página de um livro qualquer, no horizonte o qual o sol se põe - são nesses quadros triviais que presenciamos a verdade que podemos encontrar da vida. 

Tudo é tão vívido, tão real, tão sensorial e tão satisfatório que as questões - pessoais, científicas, filosóficas, o que seja! - adquirem outro fundo; já não mais interessam como sempre interessaram; já não significam o que significaram. 

É quase um estado de meditação, diante do fortuito que é estar (no) presente. 

É uma quase transe, uma plenitude finita, momentânea, mas que (se permitimos) recarrega cada canal do nosso Ser.

(É o que nos conecta a esse mundo...)

É o que nos permite continuar, mesmo sabendo que todos caminhamos para o mesmo fim. 


Afinal ... quando é que importou onde vamos chegar? 


Nos entreguemos a cada momento no qual possamos desfrutar os raios da vida que preenchem o panorama da nossa visão. (Eles estão lá! Brilhando!) Contemplemos. (Pois) Estamos, de facto aqui. Façamos parte.  


Si...

Nem tudo é um sonho, mas há uma quimera ali, logo ao canto ...  tenho (quase) certeza.

😄

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Si

Hoje nos perguntamos:

Esse é o começo do fim, ou o fim do começo?

Mas isso é algo que involuntariamente questionamos a cada dia, a cada hora, a cada segundo... 


É claro, bastante obvio. Que falaríamos tal frase depois um ano desses (ou poderia ser a qualquer ano?) !


Defronte a cada perspectiva temos uma posição não necessariamente bem estipulada. 

E tudo isso varia de acordo com a hora, momento, vida que v(iv)emos. Mas...

Quando é - que acontece, ou vai acontecer - um turning point? 


Insisto em apontar para essa experiência que alguns de nós tivemos esse ano. 

De ver a incerteza como algo certo.

De encarar o fim como um começo. 

De ver finalizado qualquer começo que investimos. 


De, perceber a vida como algo etéreo, único! Como algo banal que não tem nenhum significado. De nos percebemos como parte, mas nos alejarmos como única unidade. 

De contradições. Revelações.

De partilhar! De desistir...

De acreditar. De ... refutar.


Se a tudo isso, à alguém nada mudou... 

Definitivamente, os esperam algo, em algum momento, em alguma vida, em qualquer circunstância que seja, para que essa prova os possa ser provada. Pois... há de ser muito terreno (ou primodial!), para não perceber que talvez exista alguma outra parte que a própria definição de supercialidade alcunhe a partir d(e)o todo dessa situação.

Que a definição que (o) seja! 

Que a mudança tenha sido pelo menos de perceber a importância da convivência diária em suas vidas! 

(Mas, será que de fato existe uma mudança em alguém que insiste em não proceder de acordo com uma nova percepção?) 


Eu, vago que sou, talvez não acredite em uma percepção coletiva.

Em uma esperança de mudança de atitude. 

Em um tempo melhor, que provavelmente nunca veio. 


Não posso projetar qualquer objetivação perante o mundo...


Mas isso também não impede que eu me permeie, me conjuge, me complete e me replique. 

Diante e perante a cada situação de vida que o "destino" ofereça. 


Não sou bom, e provavelmente não serei. Mas me esforço em ser ao menos aceitável com aquilo que é aceitável para mim. 

Isso vem de alguém que um dia teve muito a oferecer, e que talvez tenha algo ainda guardado para alguma oportunidade aleatória que se ofereça. 


As trivialidades não nos deveriam nos interessar mais. A não ser que sejam de (v)nosso interesse. 

As lutas não fazem sentido; se elas de fato não te percorrem e te pertecem. 

O infinito se encontra na finitude dessas nossas vidas, que loopeiam desde o primórdio humano nessa Terra. Quero dizer; tudo sempre foi a mesma coisa, e essas sempre foram as mesmas questões - e enquanto persistir esse plano, provavelmente o será. 


Diante dessa conjuntura:


Nao consigo inferir se estamos presos, ou em meio a uma plena dádiva. 

Se existe algum sentido, ou não. 

E mais, me pergunto, se esse sentido deveria mesmo existir! 

(pode ser que tudo seja muito mais simples...)



Manchmal, nada importa. 

Mas às vezes, isso é tudo. 

E o que temos, senão essa lógica brusca, nada racional do momento que é presente? 


É exatamente como iniciei. 

O que define - fim, começo, continuidade - senão o movimento? 



Ah, nossa condição... 

Perpétuos no entremeio das linhas de um falso tempo que se desenha em uma massa visceral...

(sendo que tudo pode ser tão belo e novo a cada imagem que se apresenta...)



Impedição. 

Propagação. 

Não há dúvidas que tudo - e o todo - just be.  



domingo, 6 de dezembro de 2020

Está

 Aquilo que um dia foi, ainda o é - em alguma circunstância ou dimensão.

Do todo que um dia se fez, ainda restam todas as impressóes, memórias e sensações. 

Das inúmeras possibilidades que vivemos em uma só vida, o que está presente, só faz presença. 

Tantas vidas possíveis! 

Tantas vidas vividas!


O que era ontem, mesmo? Qual foi mesma a situação?

Quem, um dia, fui? 

Posso me lembrar. Mas, será que era mesmo eu?

Não seria essa, uma outra vida? 


Vivemos mais em si (mesmos) do que in situ - e aliás, o que pode comprovar - de fato - que aconteceu?

Que história conta(ou) a memória de um futuro que imaginavamos ter? 

Diante. De fronte. De longe. 

As vezes se torna tudo mais fácil assim: vislumbrarmos uma caixinha, a lá memex, a qual podemos recorrer como passagens - e brindar a possibilidade presente como um sem número de configurações daquilo que já foi guardado, concebido, como lembrança ou mesmo um nuance de vida. E assim, viver. Não é fácil, mas o é! 

E talvez (só talvez!) o hoje queira ter sido construido como tal - em suas combinações, persecusões. 

Deixe passar. Combine. Não deixe de vivenciar. Vá lá saber...! 


Há tantos momentos confusos (perenes?), que vocë às vezes se entregaria para poder morar em qualquer um deles. Desde que fossem como um sonho - que nunca acaba. 

Frágil tolice! Coração fraco! Leviana projeção...


O passado e o futuro se misturam tanto que muitas vezes você se sente perambulando por este pseudo-tempo - casi limbo - confradeando com suas próprias versões, memórias e pretensões...



Olá a todos! Esse sou eu. O de agora. (não) Mesmo de sempre. E sempre (não) será(ei) !

É um prazer - sempre - estar aqui. 

E etereamente falando ...

Pode ser que me encontre. 

Pode ser que nos encontremos. 

Pode até ser que já tenha acontecido... 

Tal qual um mito - existo(-imos), mesmo que não esteja(mos) sendo suscitado(s)... (agora!)

Sabe. 

A minha companhia é você. E...

Você sou eu.  

E mesmo que eu não saiba quem sou - estou aqui! 

E você?

Está!?

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Live

Why. 

And How. 

Do you think that someone will save you? 


There is no Savior. 

There is nothing to be saved of. 

The situation that we are in, is nothing but a matter of perspective. 


Being prudent, or not, won't change. 

Believing or not - won't affect. 


All that is given, is thereof for you to take. 

With - and by - your own hands. 


We might feel tired. 

We may have even tried! 


Life is written through very tortuous lines. 

Take a look around. 

Take a deep dive (inside, subside). 

See how everything is here - yet not. 

See how you once were - and yet, you are not.

See how you expected things to be - and, now they are not. 


Every step you take is another day that you create.

Make believe - it is not forbidden! 

But ever - ever! - remember. 

The only thing that you have is today - that is your present - accept, embrace, and live.


What is the point in tomorrow, if you can't be here - and now. 

Don't let the past dictate what and who you are. 

But never forget where you came from. 

Never! 


(The past might even be your future, one day!)


Stay open - even if you are down.

One has to get lost - to get found.

There is no linear specter in this spiraled existence. 


If you feel. 

You know that you felt.

Understand - take a stand. 

Play for yourself, never against.

Be your best friend - you are the only one that will ever be there.


And - if there is help - help it out! 

The joy always comes across - enjoy the camino! 

Even if sometimes everything is bitter - it is still tasteful.  


Go around, and round. 

Past, present and future can be all but one thing! 

Connect - reflect - inject - expand. 

And Continue.



Live.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Dias [-pora]

O todo eu

Não sei

Se está

Se esteve

Se será

Ou ainda se é 

Um ser 


Sempre

Soube

Que seria

Simplesmente

Semeado 

Por aí 


Porém

Jamais

Me coube

Questionar

Se restaria

(algo d)A raiz



Há dias em que simplesmente nos percebemos como um vestígio de nós mesmos. 

Como se estivessemos espalhados. Impermanecentes.

Como se isso houvesse sido forçado pelas circunstâncias da própria vida. A qualquer custo.


Nesses momentos em que percebemos uma diáspora do ser, tudo se torna tão impermanente que é difícil se apoiar em alguma espécie de conceito que sirva de sustentação. 

Se um dia houve alguma certeza, o que há hoje é a única certeza da dispersão - e que é através dela que se há que continuar. 

Em descolamento, em busca dos próprios fragmentos.


Espalhar-se e completar-se. 


Não há uma borda sequer a qual não conseguimos chegar - mas que preço, tal fragmentação pode nos custar? 


Várias 

Faces

Facetas

Fasciculações

Frenéticas

Frívulas

Frias 


De fronte faríamos o mesmo?

Ou a distância fornece um outro fim? 


Factualmente, o que nos cabe é (nos) fortalecer. 

Focar na (in)finitude dessa fábula - (chamada vida!).


Afinal.

Um é todo. 

E cada todo, é Um.


... talvez a melhor maneira é sermos todo, em cada um de nós(sos fragmentos).

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

What lies beyond?

 Além dos dias. 

Das vontades. 

Das tolerâncias. 

Das incumbências. 


De todos os fatos que se recorrem, tentamos fugir das questões que mais são permanentes em nossas vidas - e tudo isso para? Viver! 

Se de fato pensamos a cada momento o que virá a ser o próximo... Não estamos nem cá, nem lá, nem em algum lugar. 

Mas tampouco importa questionar a grandiosidade da questão que infere a vida, como um todo, sem que possamos dela sorver.

Estamos em um turbilhão de momentos que sempre trazem para o mesmo, para um sentido, em um simples caminho afluente do Agora. Talvez essa seja a perenidade da experiência - e talvez o que se possa configurar como existência. Tal a realidade do estar. Portanto, e por que não, tudo que acontece, aconteceu e acontecerá pode ser definido com essa mesma consistência - Real! 


As memórias já se fizeram um dia como a única realidade que se foi presente na vida - já passaram a ser outra vida que um dia sequer soubemos que vivemos - elas simplesmente podem ir embora, ou se configurarem como a única coisa que realmente continua acontecendo... tais são suas nuances... 

Creio que o que posso dizer, hoje, é simplesmente que elas foram o agora de outros tempos, e serão o agora de próximos momentos. 

Elas são tão reais quanto a realidade que vivemos agora - e não há nada mais real do que estar aqui, agora, respirando e compartilhando tal ar com o Todo que nos cerca, preenche e nos compõe (ou seria, o compomos?). 


Não há motivos para viver de qualquer outra forma que não seja essa! 

(n)O Real. (n)O Agora. 

O desafio é fazer com que essa consistência se permeie para (todo o sempre) o presente em quanto ele persistir em durar - nessa perspectiva a qual nosso invólucro (corporal, material, mental, espectral) nos permite, sem que isso se torne um limite. 

Não há (mais!) como questionar o por quê dessa realidade, que simplesmente nos é dada - acontece, É! (e não há, não ser). 

Há que se aceitar, conviver, intepretar e compartilhar. 

Para de fato. 

Viver. 

O que por si só, não é uma tarefa fácil.  

Mas. 

É uma oportunidade. 

E quem pode nos afirmar que não é única?


--


A raiz. É. Tão. Real. Quanto. A seiva. Que a percorre. 

O movimento é tão estático quanto a matéria que se renova.

Cima, baixo, dentro, fora - tudo faz parte de uma mesma unidade. 

A singularidade é composta do infinito. 



Ser